segunda-feira, 12 de maio de 2008

Cinzas dos Tempos - Kahlil Gibran


ESSE TEXTO É DEDICADO A TODOS OS QUE ACREDITAM QUE O VERDADEIRO AMOR ESPERA UMA VEZ MAIS, OU MELHOR, ESPERA QUANTAS VEZES FOREM NECESSÁRIAS. A QUEM ACREDITA QUE O AMOR É A ÚNICA FORÇA CAPAZ DE ATRAVESSAR OS MISTÉRIOS DA VIDA E DA MORTE... A FORÇA MOTRIZ DA VIDA, PARA A QUAL NÃO EXISTEM DISTÂNCIAS E NEM IMPEDIMENTOS, NEM FRONTEIRAS GEOGRÁFICAS OU ESPIRITUAIS... DEDICO O MARAVILHOSO E INIGUALÁVEL KAHLIL GIBRAN A TODOS OS QUE, COMO EU, ACREDITAM NA FORÇA DO AMOR ATUANDO EM NOSSAS VIDAS, E NOS ENSINANDO A BUSCAR E ENCONTRAR DIREÇÕES!!!

Cinzas dos Tempos - Kahlil Gibran

PARTE I

Primavera do Ano 116 A.C.

Já tinha caído a noite, e tudo era silêncio, enquanto a vida se arrastava na Cidade do Sol e as lâmpadas se apagavam nas casas espalhadas entre templos majestosos, ao meio de oliveiras e loureiros. A lua derramava seus raios prateados sobre as colunas de mármore branco, que se erguiam, como gigantes, no silêncio da noite, mantendo guarda aos templos dos deuses e como que contemplando com perplexidade as torres do Líbano, que se erguiam nos cumes, ao longe, das montanhas.

Aquela hora, quando as almas sucumbiam ao peso do sono, Natã, o filho do Sumo Sacerdote, entrou no templo de Istar, trazendo, nas mãos trêmulas, uma tocha.

Acendeu as luzes e os incensórios, até que o perfume da mirra e do olíbano alcançasse os últimos recantos; então ajoelhou-se diante do altar crivado de incrustações de ouro e marfim, ergueu as mãos à Istar e, com voz embargada e dolorida, exclamou: "Tem piedade de mim, ó grande Istar, deusa do Amor e da Beleza. Tem misericórdia e remove as mãos da Morte da minha Amada, eleita da minha alma, por tua vontade. Os remédios dos médicos e dos curandeiros não lhe restauram a vida, nem os encantamentos dos sacerdotes e feiticeiros. Nada resta fazer-se senão a tua santa vontade. Tu és a minha guia e meu auxilio. Tem piedade de mim e ouve a minha prece. Contempla o meu coração e a minha alma sofredora! Poupa a vida da minha Ama­da, de modo que eu possa regozijar-me com os segredos do teu amor e gloriar-me na juventude, que revela o mistério da tua força e sabedoria. Das profundezas de meu coração imploro a ti, ó suprema Istar! Das profundezas da escuridão da noite im­ploro a tua misericórdia! Ouve-me, ó Istar! Sou o teu dedicado servo Natã, filho do Sumo Sacerdote Irã, e dedico todas as minhas palavras e atos a tua grandeza, no teu altar.

"Eu amo uma jovem entre todas as jovens e a fiz minha companheira; mas os gênios do mal invejaram-na e sopraram em seu corpo uma aflição estranha e enviaram-lhe o mensageiro da Morte, que se pôs à sua cabeceira, como um espectro faminto, espalmando suas negras asas sobre ela e abrindo as suas agudas garras, prontas para a agarrarem.

"Aqui estou para rogar-te que tenhas piedade de mim e poupes aquela flor que ainda nao se regozijou com o Verão da Vida. Salva-a das garras da Morte, de modo a podermos cantar alegremente em teu louvor, queimar incenso em tua honra e oferecer sacrifícios em teu altar, enchendo os teus vasos com óleo perfumado, espalhando rosas e violetas no teu lugar de adoração e queimando olíbano diante de teu sacrário. Salva-a, ó Istar, deusa dos milagres, e faze com que o Amor vença a Morte nesta luta da Alegria contra a Tristeza".

Natã então calou-se. Seus olhos inundaram-se de lágrimas e seu coração soltava sentidos suspiros; e depois continuou: "Ai de mim! Meus sonhos se desfizeram, ó divina Istar, e meu coração murchou. Revigora-me com a tua misericórdia e poupa a mi­nha Amada!"

Nesse instante um dos seus escravos entrou no templo, correu ate Natã e sussurrou-lhe aos ouvidos: "Ela abriu os olhos, senhor, e, olhando ao redor, na sua cama, não o encontrou; entao chamou pelo senhor, e vim, por isso, à toda pressa, chamá-lo". Natã partiu apressadamente e o escravo seguiu-o.

Quando ele chegou ao seu palácio, entrou no quarto da pobre enferma, curvou-se sobre a sua cama, segurou-lhe a mão delicada e frágil, e beijou-a nos lábios várias vezes, como que tentando transfundir no corpo dela uma nova vida de sua própria vida. Ela moveu a cabeça nas almofadas de seda e abriu os olhos. Brotou-lhe nos lábios a sombra de um sorriso que era um leve resto de vida do seu corpo gasto, eco do apelo de um coração que parece parar aos poucos. E com uma voz que soava como o choro sumido de uma criança com fome, ao seio de uma mae exangue, ela disse: "A Deusa chamou-me, ó Vida da minha Alma, e a Morte veio separar-me de ti. Mas não temas, pois a vontade da Deusa é sagrada, e as exigências da Morte são justas. Estou partindo agora e ouço o sussurro de uma alvura que desce sobre mim; mas as taças do Amor e da Juventude ainda estão cheias em nossas mãos, e os caminhos floridos da Vida ainda se estendem, belos, à nossa frente. Estou partindo, meu Amado, na arca do espírito, mas voltarei a este mundo, pois a grande Istar trará de volta a vida as almas dos namorados que partirem para a Eternidade antes de gozarem a doçura do Amor e a ventura da Juventude.

"Encontrar-nos-emos, de novo, Natã e beberemos juntos o orvalho da madrugada nas taças das pétalas dos lírios e nos regozijaremos com os pássaros das campinas além das cores do arco-íris. Até então, meu-por-toda-a-vida, adeus!

Sua voz baixou, e seus lábios tremeram, como a flor solitária ante as lufadas da madrugada. Natã abraçou-a, com lágrimas nos olhos e, ao apertar os seus nos lábios dela, sentiu-os frios como uma pedra. Soltou um grito alucinante e começou a rasgar as suas vestes. E atirou-se ao corpo inanimado, enquanto sua alma em pranto boiava, inconsciente, entre a montanha da Vida e o precipício da Morte.

No silêncio da noite as almas adormecidas acordaram. Mulheres e crianças aterrorizaram-se ao ouvirem um grande estrondo, os penosos gritos e as amargas lamentações que vinham de todos os cantos do palácio do Sumo Sacerdote de Istar.

Quando chegou a manhã cansada, seus amigos procuraram Natã, para apresentar-lhe as suas expressões de simpatia; mas disseram-lhes que ele havia desaparecido. Uma quinzena depois o chefe de uma caravana recém-chegada do Oriente informou que havia visto Natã num deserto distante, vagando com um bando de gazelas.

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As idades passaram, esmagando, com os pés invisíveis, os vislumbres de civilizações, e a Deusa do Amor e da Beleza tinha deixado a região. Uma deusa estranha e fraca tomou o seu lugar. Ela destruiu os magníficos templos da Cidade do Sonho e demoliu os seus lindos palacios. Granjas florescentes e férteis prados foram devastados, e nada restou no local, senão ruínas, lembrando às almas sensíveis os gênios de Ontem, e repetindo aos espíritos tristes o eco, apenas, dos hinos de glória.

Mas as idades cruéis que esmagaram os feitos dos homens não puderam apagar os seus sonhos nem puderam enfraquecer o seu amor, pois os so­nhos e as afeições são eternos, como o Espírito Eterno. Sonhos e afeições podem desaparecer, por algum tempo, acompanhando o sol, quando a noite vem, e as estrelas, quando a manhã desponta, mas, como as luzes dos céus, eles, infalivelmente, voltam.

PARTE II

Primavera do Ano 1890

O dia estava findo, a Natureza fazia os seus muitos preparativos para o sono, e o sol recolhia os seus raios dourados das planícies de Baalbek. Ali El Hussein trazia o seu rebanho de volta ao redil, no meio das ruínas dos templos. Sentava-se ele perto das antigas colunas erguidas em lembrança dos inúmeros soldados tombados no campo de batalha.

As ovelhas faziam um círculo ao redor, encantadas com a música de sua flauta. Veio a meia-noite e o céu espalhou as sementes do dia seguinte nos profundos sulcos da escuridão. Os olhos de Ali cansavam-se das sombras de sua vigília, e a sua mente exauria-se na procissão de fantasmas, marchando em terrível silêncio ao meio de paredes demolidas. Descansou em seu proprio braço, e os seus cinco sentidos o envolveram com a ponta extrema de seu véu em pregas, como uma nuvem delicada, tocando de leve a face de um lago tranquilo. Ali esqueceu-se da sua individualidade atual e encontrou a sua identidade invisível, rico de sonhos e ideais mais altos do que as leis e os ensinamentos dos homens. Seu círculo visual alargou-se-lhe diante dos olhos, e os segredos da Vida tornaram-se, gradualmente, claros a ele. Sua alma abandonou o rápido desfile do tempo, correndo para o nada; ele permaneceu só, entre pensamentos simétricos e idéias transparentes, de tão claras. Pela primeira vez na vida Ali atinava com as causas da fome espiritual que o acompanhava desde a juventude. A fome que equilibrava a amargura e a doçura da vida. Aquela sede que une o contentamento dos suspiros da Afeição aos silêncios da Satisfação. . . Aquele anseio que não pode ser vencido pela glória do mundo, nem dobrado pelo perpassar dos séculos.

Ali sentiu uma onda de estranha afeição e de bondade terna dentro de si — nada mais, nada menos que a Memória, avivando-se como um incenso a fumegar num turíbulo de prata… Era um amor mágico, cujos dedos macios haviam tocado o coração de Ali como os dedos finos de um músico tocando as cordas sensíveis de seu instrumento… Era um poder novo, emanado do nada e crescendo, irresistivelmente, abarcando o seu ser real e enchendo o seu coração de um amor ardente, ao mesmo tempo dolorido e doce.

Ali olhou para aquelas ruinas, e seus olhos cansados se tornaram vivos, quando imaginou a glória daqueles devastados santuários que ali se erguiam como antigos templos majestosos, inabaláveis. — eternos. Seus olhos pararam e o coração lhe palpitou no peito, acelerado… E, como um cego, cuja vista fosse, repentinamente, recuperada, começou a ver, pensar e meditar. Vieram-lhe à lembranças as lâmpadas e os incensórios de prata que rodeavam a imagem de uma deusa reverenciada e adorada… Ele se lembrou dos sacerdotes oferecendo sacrifícios diante de um altar de ouro e marfim… Vislumbrou as jovens dançando, os tocadores de pandeiros, os cantores que entoavam hinos de louvor à Deusa do Amor e da Beleza; viu tudo isso diante dele, e sentiu-lhes a impressão de obscuridade nas profundezas asfixiantes do coração. Mas só a memoria não traz nada senão os ecos de vozes ouvidas nas profundezas dos tempos idos. Qual, então, a bizarra relação entre essas tão fortes memórias entrelaçadas e a vida real de um jovem simples que nasceu numa tenda e passou a primavera da vida apascentando ovelhas nos vales?

Ali encolheu-se e caminhou no meio das ruínas; e, ruminando memórias, rompeu-se-lhe, de repente, do pensamento, o véu do esquecimento. Ao alcançar a entrada do templo, cava e enorme, parou, como se um poder magnético se apoderasse dele, e apressou o passo. Ao olhar para baixo descobriu uma estátua demolida no chão. Ele se desprendeu do controle do Invisível e, incontinente, as lágrimas da alma desencadearam-se-lhe e correram como sangue de uma profunda ferida. Gemeu-lhe o coração, arfante, um fluxo e refluxo, como as agitadas ondas do mar.

Suspirou amargamente e chorou penosamente, pois sentia uma solidão apunhalante, uma saudade dorida, como se houvesse um abismo entre o seu coração e o coração de quem se separou antes que nascesse nesta vida. Ele sentiu que a substância de sua alma era apenas uma flama da tocha incandescente que Deus havia separado de Si mesmo, ante do perpassar dos séculos. Ele percebeu o toque de plumas de delicadas asas esvoaçantes ao redor de seu coração em brasa, e um grande amor possuindo-o… Um amor capaz de separar a mente do mundo que se mede e se pesa… Um amor que se ergue como um farol, a apontar o caminho, guiando com luz invisível… Aquele amor, ou aquele Deus que desceu naquela hora calma sobre o coração de Ali tinha imprimido em seu ser uma afeição agri-doce, como os espinhos que crescem junto a viçosas flores.

Mas quem é esse Amor, e donde veio ele? Que deseja ele de um pastor ajoelhado no meio daquelas ruínas? Será ele uma semente lançada inconscientemente nos domínios do coração por uma beduína? Ou raio de luz partido do fundo de uma nuvem, para iluminar a vida? Será um sonho que se introduziu no silêncio da noite, para ridicularizá-lo? Ou será a Verdade, que sempre existiu, desde o Começo, e continuará existindo, até o Fim?

Ali cerrou os olhos lacrimosos e, estendendo os braços, como um mendigo, exclamou: "Quem és tu, junto ao meu coração e, entretanto, longe de minhas vistas, agindo, como uma parede, entre mim e o meu ser real, ligando o meu presente a um passado olvidado? És tu a sombra de um espectro da Eternidade, para mostrar-me a vaidade da vida e a fraqueza da humanidade? Ou um gênio saído das feridas da terra, para escravizar-me e tornar-me objeto de escárnio entre os jovens da minha tribo? Quem és tu, e qual é este poder estranho que ao mesmo tempo me mata e vivifica o coração? Quem sou eu, e que ser estranho é esse que eu chamo de "eu mesmo"? Será que a Água da Vida que bebi me fez um anjo, vendo e ouvindo os segredos misteriosos do Universo, ou é ela um vinho mau que me intoxicou e me ocultou de mim mesmo?

Ele calou-se, enquanto crescia a sua ansiedade, e seu espírito exultava. E continuou: "Oh! aquilo que a alma revela e a noite oculta. . . Oh! esplêndido espírito a flutuar sobre os meus sonhos: tu acordaste em mim uma plenitude latente como sementes férteis sob camadas de neve; passaste por mim como uma brisa suave, trazendo ao meu coração faminto a fragrância das flores dos céus; tocaste, agitando-os e sacudindo-os, os meus sentidos, como as folhas de uma árvore. Deixe-me ver-te, se és humano, ou manda que o sono feche meus olhos, para que eu possa ver a tua grandeza, através do meu ser interior. Deixa-me tocar-te; deixa-me ouvir a tua voz! Rompe este véu que impede o meu desejo e destrói este muro que esconde a minha deusa da claridade dos meus olhos — e coloca-me um par de asas para que eu possa voar contigo ao palácio do Supremo Universo. Ou enfeitiça os meus olhos, de modo a poder seguir-te ao esconderijo dos gênios, se és uma de suas noivas. Se mereço, coloca a tua mão sobre o meu coração e toma posse de mim."

Ali murmurou essas palavras na noite mística, quando sentiu a aparição das sombras da noite, como se fossem um vapor das suas lágrimas ardentes. Nas paredes do templo imaginava ver figuras mágicas, pintadas com o pincel do arco-íris.

Assim se passou uma hora, com Ali derramando lagrimas e regozijando-se nos seus terríveis transes; ouvindo as pancadas de seu coração; e olhando além das coisas, como se estivesse observando as imagens da Vida, esvaecendo, vagarosamente, a medida que eram substituídas por um sonho, esquisito em sua beleza, mas terrível em sua enormidade. Como um profeta que contempla as estrelas do céu, aguardando a Hora da Revelação, ele meditava sobre o poder existente além da sua contemplação. Percebia que o seu espírito o abandonava e saía, entre os templos, à procura de um valioso, mas desconhecido seguimento de si mesmo, perdido entre as ruínas.

A madrugada apontou, e o silêncio rugiu ao perpassar da brisa. Os primeiros raios de luz deslizavam, iluminando as partículas de éter, e o céu sorriu, como um sonhador, ao contemplar a imagem da sua bem-amada. Os pássaros emergiam de seus ninhos das fendas das paredes e se engolfavam nos salões entre as colunas, cantando suas preces matinais.

Ali pôs, na testa, a mão em concha, olhando para baixo com olhos embargados. Como Adão, quando Deus lhe abriu os olhos com Seu divino hálito, Ali viu coisas novas, estranhas e fantásticas. Então, reuniu as suas ovelhas e chamou-as, ao que elas o seguiram, mansamente, em direção aos prados verdejantes. Conduzia-as, enquanto contemplava, extasiado, o céu, como um filósofo que adivinhasse os segredos do Universo, meditando sobre eles. Alcançou um riacho, cujo murmúrio era um sedativo para o espírito e sentou-se à beira de uma fonte sob um salgueiro, cujos ramos mergulhavam na água, como que bebendo de suas frescas profundezas. Gotas de orvalho brilhavam na lã das ovelhas que pastavam entre flores e ervas verdejantes.

Em poucos momentos Ali sentiu de novo que as pancadas do coração se lhe amiudavam rapidamente e seu espírito começava a vibrar violentamente, quase visivelmente. Como uma mãe acordada subitamente pelo choro de seu filho, ele saltou de sua posição e, fitando nela, irresistivelmente, os olhos, viu uma linda mulher, trazendo um cântaro a um dos ombros, que se aproximava, lentamente, do outro lado do riacho. Quando ela alcançou a margem e se curvou para encher o vaso, olhou-o em frente, e seus olhos se encontraram com os de Ali. Como se tivesse enlouquecido, deu um grito, deixou cair o cântaro e fugiu rapidamente. Depois voltou-se, olhando, ansiosa, para Ali, sem acreditar no que via.

Passou um minuto, cujos segundos pareceram lâmpadas brilhantes, iluminando os seus espíritos e corações, e o silêncio lhes trouxe uma vaga recordação, revelando-lhes imagens e cenas distantes daquelas árvores e daquele riacho. Eles ouviram, um ao outro, no silêncio que falava, escutando, em lágrimas, os suspiros mútuos partidos do coração e da alma, até que se estabeleceu um completo entendimento entre os dois.

Ali, compelido, ainda, por uma força misteriosa, saltou o riacho, aproximou-se da encantadora criatura, abraçou-a e beijou-a longamente nos lábios. Como se a doçura dos carinhos de Ali houvesse dominado a sua vontade, ela não se moveu, e o toque delicado nos braços de Ali como que lhe roubou os forças. Entregou-se a ele, como a fragrância do jasmim se entrega às vibragoes da brisa, que a leva para o firmamento. Ela descansou a cabeça no seu peito, como um sofredor que encontrou descanso. E suspirou profundamente… um suspiro que anunciava o renascimento da felicidade num coração despedaçado e soava como uma agitação de asas que subissem, depois de terem sido feridas e derrubadas.

Ela ergueu a cabeça, a alma nos olhos — o olhar de alguém que, em profundo silêncio, despreza as palavras convencionais usadas entre os homens; a expressão que oferece miríades de pensamentos na linguagem sem palavras do coração. Ela trazia a aparência de alguém que aceita o Amor, não como uma idéia contida num grupo de palavras, mas como um reencontro que se dá muito depois de duas almas terem sido separadas pela terra e reunidas por Deus, de novo.

O casal enamorado caminhou entre os salgueiros e a unidade das duas almas era a linguagem em que falavam; os olhos com que viam a glória da Felicidade; o ouvido atento aquela magnífica revelação do Amor.

As ovelhas continuavam a pastar, e os pássaros dos céus voejavam ainda sobre as suas cabeças, cantando a canção da Madrugada, que se seguia à amplidão da noite. Ao chegarem ao fim do vale, o sol apareceu, espalhando um véu dourado sobre os outeiros e as colinas, e eles sentaram ao lado de uma pedra junto a qual se escondiam violetas. A linda mulher olhava nos olhos negros de Ali, enquanto a brisa acariciava os seus cabelos que, assim, pareciam pontas de dedos a pedir beijos…

Ela sentiu como se uma brandura mágica e envolvente lhe estivesse tocando os lábios, a despeito de sua vontade, e com uma voz serena e encantadora disse: "Istar restaurou os nossos espíritos de outra para esta vida, de modo a não nos ser negada a alegria do Amor e a glória da Juventude, meu amado".

Ali fechou os olhos, como se a voz dela lhe houvesse trazido imagens de um sonho que ele tinha tido, e sentiu como que um par de asas invisíveis levando-o daquele lugar e colocando-o numa estranha alcova, ao lado de uma cama sobre a qual jazia o cadáver de uma mulher, cuja beleza havia sido reclamada pela Morte. Ele gritou, assustado, e, abrindo os olhos, viu a mesma mulher sentada ao seu lado, e nos seus lábios esboçava-se um sorriso. Os olhos dela brilharam com a luz da Vida. Um brilho estranho estampou-se também no rosto de Ali, e seu coração se reconfortou. A imagem de sua visão se retirou, vagarosamente, até que se esqueceu, completamente, do passado e seus cuidados. Os dois amantes abraçaram-se e beberam, juntos, o vinho de beijos capitosos, até se embriagarem. Dormitaram, abraçados, apertadamente, até que as últimas sombras do dia foram dispersadas pelo Poder Eterno e os despertou…

quinta-feira, 3 de abril de 2008

TAROT TERAPÊUTICO

ESSE POST É UMA CONTINUAÇÃO DO ANTERIOR, NO QUAL EXPLIQUEI AS BASES DO TAROT COM ENFOQUE TERAPÊUTICO.

O que é?
Leitura de Tarot, mas com enfoque consciencial . Dentro dessa vertente de trabalho com o Tarot, nosso objetivo não é apenas o de constatar problemas e focos de conflito, mas auxiliar o consulente em seu processo interno, dando continuidade ao que a simbologia dos Arcanos revela, auxiliando o plano consciente a compreender o inconsciente, e a revisão de algumas atitudes e suas conseqüências na vida material. Eu trabalho com três baralhos de Tarot diferentes, com simbologias distintas e voltadas aos mitos gregos antigos e seu simbolismo sempre atual na psiquê humana.

Como é a consulta?
A consulta dura em média uma hora e meia, e é dividida basicamente em três momentos principais, a fim de facilitar a compreensão do consulente:

1) A análise dos aspectos sutis e energéticos nos quatro planos principais do consulente: físico/material, emocional, mental e espiritual; nesse momento, entra também uma espécie de mapeamento psíquico da pessoa (suas qualidades, defeitos, aptidões, aprendizados, desafios, formas de encarar a vida, entre outros assuntos), tendo como base os conhecimentos dos Arcanos Maiores e Numerologia.

2) Um jogo completo e abrangente, que mostra um pouco de cada setor de vida (trabalho, saúde, amor, etc.) e os aspectos pessoais do cliente sobre cada um deles, com a ênfase no momento atual, o estudo de sua base anterior (momento passado) e a visão de possíveis tendências futuras. Geralmente, o Tarot responde o período de 3 meses a um ano, aproximadamente... Eu sempre lembro a meus clientes que o futuro é uma conseqüência do momento presente... É importante dar subsídios para que a pessoa compreenda seu momento, se situe no tempo e em seu tempo interno, e com isso, tome melhores atitudes. Esse jogo geral é também uma forma de ver de forma global e abrangente todo o momento de vida presente e seus reflexos próximos.

3) Perguntas e respostas sobre assuntos ou áreas de interesse, através de tiragens específicas.

Aliado a tudo isso, utilizo técnicas terapêuticas diversas, e de forma integrativa, com o objetivo de auxiliar o consulente na busca da solução de suas pendências e problemas, e com isso, fazer com que essa pessoa tenha uma qualidade de vida melhor. Uso florais diversos, terapia com cristais, entre outros métodos. A consulta pode ser gravada ou registrada e existe um acompanhamento pós-consulta, a fim de constatar as reações e melhorias dentro do processo terapêutico propiciado pela simbologia dos Arcanos.

Atendimentos a domicílio e em diversas regiões de São Paulo. À distância, os atendimentos podem ser feitos por telefone ou MSN, mediante confirmação de depósito bancário antecipado. Não trabalho com atendimentos gratuitos em hipótese nenhuma. As consultas são totalmente personalizadas, sigilosas e com hora marcada.

Quais são os processos terapêuticos complementares á leitura?
- Cristais: utiliza-se os minerais de formas diversas (elixires, uso pessoal, aplicação nos chakras, etc.) com o objetivo de equilibrar o campo vibratório do cliente.

- Florais de Bach e de Minas: atuam nos campos vibracionais, favorecendo a cura de forma holística e consistente, é visível a melhoria da pessoa após o uso dos florais, que vibram de uma forma sutil e ajudam a pessoa a se libertar de traumas, maus comportamentos, ansiedade, etc.

- Geoterapia: uso da argila medicinal em processos de dor, inflamação e doenças crônicas.

- Cromoterapia: uso da cor com fins terapêuticas, através de lâmpadas, tecidos, água solarizada, velas coloridas, etc.

- Mandalas: a energia da forma, ou Geometria Sagrada, aliada à Cromoterapia nos dá um processo terapêutico que auxilia o cliente em seu reequilíbrio mental, emocional e energético, através da ativação do reflexo das cores e formas no inconsciente. As mandalas podem ser desenhadas, pintadas à mão, contempladas, enfim, cada caso pede uma atividade específica a ser desenvolvida com esse poderoso recurso.

- Totemismo: conhecer o animal-totem (um símbolo que está presente em todas as culturas antigas) auxilia o consulente a se compreender mais enquanto parte integrante da natureza e da vida, ajuda a entrar em contato com sua essência. Para se descobrir os animais-totem, se usam diversas técnicas, desde entrevista até meditações.

- Técnicas Ancestrais: são rituais antigos, com grande e poderosa carga simbólica, em que são usados os elementos da natureza e suas energias: fogo, terra, água e ar. O objetivo é ajudar o cliente a se conectar mais à sua espiritualidade e se libertar de energias negativas, padrões de pensamento ruins, sentimentos prejudiciais, influências espirituais insalubres, entre outras coisas.

- Fitoterapia: usam-se as ervas medicinais em processos de dor, doenças crônicas, inflamações, etc. Trabalha-se com infusões, banhos e cataplasmas.

- Fonosofia: os sons despertam energias poderosas e nesse processo usamos mantras de variadas origens, afirmações e decretos pessoais com base em Arcanos Maiores, músicas, orações, etc.

- Teoterapia: estudo dos mitos gregos e o reflexo de seus símbolos na vida atual. Nesse processo, usam-se variados meios de interação: meditação induzida, escrita, desenho, pintura e outras atividades lúdicas que favoreçam a compreensão dos aspectos a serem aprendidos e melhorados na vida do cliente.

Sempre lembrando que: NENHUM TRATAMENTO ALTERNATIVO SUBSTITUI TRATAMENTOS ALOPÁTICOS CONVENCIONAIS, OU ANÁLISE PSICOTERÁPICA, O OBJETIVO É SOMAR PARA AUMENTAR AS CHANCES DE RECUPERAÇÃO, ATRAVÉS DE UMA VISÃO HOLÍSTICA DO SER.


Ruano de La Calle

tel: (011) 8233.6806

e-mail / MSN: ruano.consulta@hotmail.com

CURSO DE TAROT MITOLÓGICO

Se já existe um livro super explicativo sobre o TAROT MITOLÓGICO, qual seria o objetivo de um curso específico??? Então... o objetivo é se propor a interiorizar e aprender, ou melhor, o objetivo é facilitar a compreensão do conteúdo, e interligar a isso um estudo mais detalhado dos mitos. Correlacionar o uso desse tipo de Tarot com a vida prática. Pensando nisso, criei um curso completo, fácil e objetivo.

Público Alvo: tarólogos que já estudam variadas vertentes de Tarot; pessoas que nunca tiveram contato com Tarot e desejam se iniciar nessa arte; estudiosos e pesquisadores em geral; pessoas interessadas em mitologia grega, psicólogos e terapeutas em geral. Não existe restrição de públicos e não se exigem pré-requisitos. Quem não sabe nada de Tarot pode aprender e ler muito bem; todos os que já sabem sempre tem algo a aprender e a trocar em matéria de experiências e conhecimentos.

Duração: o curso inteiro é por módulos, são 3 módulos de 3 meses cada. As aulas são semanais, de aproximadamente uma hora e meia cada encontro.

Didática: Aulas expositivas e aulas práticas. Treino com o baralho e análise estudada de cada técnica de leitura. Atividades lúdicas sempre estão presentes com o objetivo de facilitar o aprendizado (meditação, encenação, pintura, desenho, trabalho em equipe, etc.) As aulas expositivas contam com discussões e debates sobre os temas propostos, e são pesquisados variados autores e fontes de referência.

Principais Aspectos que são abordados no curso:
- Básico de Mitologia Grega = Os povos gregos (localização geográfica, história, cultura, valores, sociedade); a construção do politeísmo grego e as influências de outros povos da antiguidade na construção da identidade religiosa e mítica; a religião grega (a visão dos iniciados e a visão popular); as escolas e templos sagrados; o pensamento grego e sua busca pelas virtudes; a forma dos gregos ensinarem através de mitos e arquétipos; a filosofia grega; os mitos da Criação; o panteão grego, seus Deuses principais, heróis e semideuses; a dominação romana; os registros de historiadores; o estudo psicológico das figuras mitológicas e suas correlações sempre atuais com os problemas modernos; o Oráculo de Delfos e o culto de Apolo; entre outros assuntos.

- Básico em Linguagem Simbólica = Símbolos (observação, análise, culturas); Jung e as teorias do inconsciente coletivo; o estudo dos símbolos de acordo com filosofia, psicologia, etc.; a linguagem dos sonhos; o inconsciente.

- Básico sobre Tarot = Origem, usos, correspondências; história do Tarot; o Tarot na Europa Medieval; o Renascimento e o resgate aos mitos clássicos; os principais teóricos do Tarot em todos os tempos; o Tarot enquanto ferramenta de acesso ao inconsciente e sua utilização de forma terapêutica; abordagens do Tarot (consciencial, mística, adivinhatória, lúdica, etc.); estudo detalhado dos Arcanos Maiores e Menores, suas simbologias aplicadas a diversos setores do plano de existência humana; correlação dos Arcanos aos mitos gregos; as teorias e correspondências feitas sob variados aspectos; formas de tiragem e interpretação, com exemplos e parte prática.

- Básico sobre Ética = profissionalizando o Tarot; atitudes éticas; Tarot voltado ao auto-conhecimento; estudo das emoções; divisão de planos existenciais e de consciência: físico, emocional, mental e espiritual; como trabalhar com o Tarot; linguagem, dialética e flexibilidade; busca pelo Tarot.

- Básico sobre Bioenergia: os pólos magnéticos; as egrégoras; as energias; como combater ataques psíquicos; radiestesia básica; consagração do baralho; cuidados energéticos e sutis durante a leitura; locais de consulta; ancestralidade religiosa dos gregos e suas invocações antigas; elementos componentes da mesa para leitura; cuidados com o baralho de Tarot e seu manuseio.

- O Tarot Mitológico em si = estudo completo de cada Arcano e suas correlações com os setores da vida humana. Com base no livro de estudos de Juliet Sharman-Burke em co-autoria com Liz Greene.

* Todo o curso é amplamente APOSTILADO, com excelente bibliografia e material de pesquisa. Acompanha a mesma um CD de música para meditação e uma toalha de jogo. Na apostila, também existem exercícios de fixação e tarefas de pesquisa.

* Aulas em grupo ou individuais, para todo o Brasil.

Maiores informações:
e-mail: ruano.consulta@hotmail.com

MAGIA PARA FACILITAR A CONQUISTA DE UM EMPREGO.

Trata-se de uma magia cigana poderosa, que estou postando aqui a pedido de alguns clientes... Tem que colocar fé na energia da natureza, para que as portas se abram...

Melhor dia: domingo

Lua: Crescente ou Cheia, apenas.
Materiais Necessários:

- 1 melão grande

- 7 fitas coloridas, menos de cor preta

- açúcar

- canela em pó

- 7 cravos-da-índia

- 1 prato qualquer

- 1 maço folhas de hortelã frescas

- 1 vela amarela

- 1 incenso de sua preferência

- 1 papel com seu pedido escrito a lápis

- 1 moeda atual de qualquer valor

A Magia: corte o melão no sentido horizontal. Ou seja: ao meio, de modo que fiquem duas partes iguais... Seria a forma oposta a que se corta quando se vai fatiar o melão para comer. Dentro dele, coloque o seu papel, onde deve estar escrito seu pedido... O mesmo deve ser verbalizado várias vezes, com firmeza, a fim de ativar os planos sutis a trazerem o que se quer. Junto com o papel, numa das metades do melão, coloque também o açúcar, a canela, os cravos e a moeda. Junte as partes do melão, fechando-o, como em sua forma original. Amarre as fitas coloridas de modo a fechá-lo, porém não se deve dar nós, e apenas laços.

O ritual: Coloque o melão atado pelas fitas coloridas no prato, e em volta arrume as folhas de hortelã. Coloque num lugar alto da sua casa, acenda de um lado a vela amarela, e do outro o incenso. Se concentre, evoque a presença de Deus, ofereça a magia ao Povo Cigano, e peça com fé e firmeza seus objetivos, verbalize o tipo de trabalho que quer e suas reais necessidades de se colocar no mercado. Faça uma oração sincera e deixe a vela queimar até o fim.

Término do ritual: Após a queima da vela e do incenso, os restos dos mesmos podem ir pro lixo. O prato pode ser usado normalmente. O melão deve ser entregue aos pés de uma árvore frondosa, como oferenda ao Povo Cigano espiritual, e nesse momento a pessoa deve repetir seu pedido e mentalizar sua conquista. As folhas de hortelã podem servir para chá ou para perfumar o ambiente, ou mesmo para um banho calmante.

Detalhe Importante: Após a entrega do melão à natureza, se comprometa a repetir a oferenda assim que conseguir o tão almejado emprego. E refaça todo o ritual. A diferença é que não precisa partir o melão e nem colocar nada dentro dele. Apenas o consagre com a vela e o incenso, agradecendo aos espíritos ciganos, e depois que a vela e o incenso acabarem, abra o melão, coma e divida com as pessoas queridas.

Muita sorte!

DE VOLTA...


Amigos... depois de algum tempo ausente, estou voltando a postar meus textos nesse espaço... tive alguns contratempos, e meu tempo escasseou, mas estou de volta!!! Acompanhem as novidades, opinem, e participem. Visitem a minha comunidade no Orkut, que se chama "Ciganos: uma realidade", e tem por objetivo falar sobre os povos ciganos sob uma ótica de estudo antropológico e com uma responsabilidade social. Para a Dama do Lago: desculpe a demora, mas só hoje vi sua mensagem. Escreva para o meu e-mail pessoal, e breve conversaremos, muito embora só conheça de nome a região européia que você citou. Grato pela visita!!!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

LEITURA DE TAROT GREGO COM ENFOQUE CONSCIENCIAL

Muito se fala a respeito do Tarot, esse conjunto de cartas desenhadas com diversos símbolos, cuja origem se perde na noite dos tempos e entre os véus dos mundos... Existem variadas vertentes de estudos que foram se criando e se desenvolvendo com o passar dos séculos, muitos povos utilizaram e difundiram o conhecimento do Tarot. Variadas releituras dos baralhos de Tarot foram feitas em diversos momentos, enriquecendo símbolos, porém sem alterar a essência original dos Arcanos. E entre essas releituras, surgiu o Tarot Grego, também chamado de Mitológico, que propõe um resgate ao estudo arquetípico do Tarot coligado à mitologia e religião dos povos gregos. Sabemos que cada mito grego carrega em si e em conjunto com suas histórias toda uma carga simbólica que descortina e revela os segredos e facetas da alma humana, de seus processos internos e anseios. Ou os Deuses de fato existem (seja dentro de nós mesmos ou habitando as planuras do Monte Olimpo) ou os gregos eram uns gênios, pois cada mito, cada alegoria traz um arquétipo do inconsciente coletivo dos povos e do homem, e isso se casa perfeitamente à sabedoria do Tarot. Esse instrumento poderoso acaba então servindo como oráculo, na acepção mais pura da palavra: como canal de comunicação com as Divindades, como porta de acesso ao Divino; como ferramenta de auto-conhecimento, pois todos temos a centelha divina, que nos garante a assistência e a providência da Espiritualidade, e já também que o lado espiritual, sutil , é nosso ponto de origem, estamos sempre ligados a ele por irresistível curiosidade e fortes laços. Em maior ou menor grau.

Partindo dessa premissa, nós compreendemos que uma leitura de Tarot é uma abertura no tempo, é um canal através do qual as “verdades”, ou as informações relevantes à individualidade do ser naquele momento serão transmitidos do mar do inconsciente para a realidade-terra do consciente, auxiliando a racionalização de certos processos interiores. E isso, interligando e intercalando os mundos, servindo também de canal aos mensageiros que velam por cada um, e para facilitar o reequilíbrio energético proporcionado pela compreensão das coisas. Colocando isso tudo em termos práticos: se uma pessoa reclama que não consegue se relacionar direito por ser muito possessiva ou intransigente, e não tiver consciência o suficiente para mudar essa característica, o Tarot entra como facilitador do processo de compreensão das causas e aconselha as mudanças que se fazem necessárias. Talvez essa mesma pessoa se saiba difícil, por já ter ouvido isso de fontes externas (mãe, amigos, coleguinhas, ex´s), mas não tem consciência do quanto isso prejudica seus relacionamentos, precisando aprender aí a flexibilidade e a temperança. O Tarot constata essa característica, essa realidade influente naquele momento em que a pessoa questionou, e dá meios que forneçam à pessoa a compreensão desse traço de caráter e a auxilia a se resolver, melhorando com isso a sua qualidade de vida e de seus relacionamentos.

O Tarot não faz milagres e nem mágicas, e nem revela cores secretas de lingerie ocultas sob a roupa. Isso dependerá do grau de vidência do profissional, e que fique bem claro: estudo e leitura de Tarot não estão vinculados com vidência ou mediunidade. Qualquer pessoa pode aprender Tarot e jogar muito bem. Os símbolos estão presentes em todos os seres humanos e nas facetas de suas vidas, portanto todos podem aprender, pois tem com o quê associar os conceitos. Da mesma forma que nem todos os videntes e médiuns usam Tarot´s. E do mesmo modo que muitos interligam as duas vertentes, a intuição aliada ao conhecimento, ou apenas usam o baralho como material de apoio onde focar a sua capacidade cognitiva. Outros mesclam tudo isso, outros não fazem nada disso e tapeiam incautos afiltos, cada caso é um caso, e não estou aqui para julgar o trabalho de outrem. Uma leitura de cartas não transforma as coisas com um passe de mágica ou revela apenas o que se quer ouvir, mas situa a pessoa dentro das espirais do tempo, de seus tempos interior e exterior. Auxilia e muito, no processo de auto-conhecimento, pois à medida que a pessoa se conhece e conhece seus mecanismos, entende mais fácil as respostas da vida e as leis da atração e afinidade, bem como as leis kármicas e suas raízes espirituais. E com isso, vive melhor.

O Tarot facilita a compreensão de fatos e fatores externos com base nos movimentos interiores. Faz visualizar as situações através de suas bases e fatores geradores, causas e efeitos, aconselhando o consulente a seguir pelo melhor caminho, uma vez que ele percebe e se conscientiza do fluxo das coisas. O Universo é redondo, tudo tem seus motivos, a única coisa que temos que fazer é parar e observar. Opta-se por decidir o melhor para si através de uma visão global e sistêmica da questão proposta. Muito longe de resolver a vida milagrosamente ou ser mero passatempo adivinhatório (e por conseqüência, aleatório), o Tarot não deve ser usado como muleta ou como ópio, e nem ser visto como imutável ou inquestionável, até porque o jogo reflete um momento, e todo mundo tem livre-arbítrio para escolher o que quiser para si e para sua vida. A compreensão que o Tarot traz está coligada a símbolos ancestrais, todo mundo sempre tem como associar e compreender. Por exemplo: se estivermos falando sobre como está a vida espiritual de uma pessoa, de como ela está conectada com a energia sutil, e sair o Arcano II, A Papisa, que no Tarot Grego vem como Hera, a rainha dos Deuses que presidia o casamento, ou como Perséfone enquanto guardiã dos segredos da vida e da morte, significa que, espiritualmente, o consulente está ligado à energia ancestral da Mãe Divina, presente em todas culturas. Um católico a chama de Virgem Maria, um umbandista a associará com Yemanjá, uma pessoa cética se lembrará da própria mãe ou de sua avó; mas a idéia que ficará no consciente é a coisa da proteção, do amparo, do colo, da conexão com o ponto de origem, entre outras coisas... E por aí vai, cada Arcano apresenta uma interpretação de acordo com o plano de existência onde aparece. E isso faz de cada leitura um mapa pessoal e único, pois é reflexo do momento.

Voltando ao exemplo da pessoa possessiva: se o jogo revelar que a possessividade e a intransigência se apresentam por conta de uma carência cuja origem advém de vínculos familiares e infância, e que essa possessividade é usada para mascarar uma fragilidade e um medo de abandono, a pessoa tem aí vários meios de resolver a pendência ou parte dela: reeducando os pensamentos e a postura; procurando um processo terapêutico específico; se resolvendo com as causas e pessoas que originaram o conflito para com isso se libertar; e por aí vai. E lembrando que o Tarot também é questionado sobre a solução, indicando aí padrões de pensamentos e atitudes a serem seguidas, e o reflexo disso em variados planos da vida. De nada adianta constatar um problema e não oferecer uma solução. E lembrando que: nesse exemplo que citei, todos os motivos expressos não são a regra, já que cada ser humano é único e individual, cada um reage de um jeito distinto às situações colocadas pela vida nos processos de aprendizado. E quem lê o Tarot tem que ter essa abertura para a diversidade do real.

Isso faz do Tarot uma ferramenta eficaz quando usada com fins terapêuticos, aliando-se a isso os aspectos lúdicos da Mitologia Grega, que tanto tem a ver com nossas raízes ancestrais e com a construção de nosso pensamento ocidental, e que tanto falam à nossa alma e à nossa consciência, independente e através dos tempos.

RUANO DE LA CALLE - Desenvolvo um trabalho sério há mais de dez anos, com enfoque consciencial, aliando ao Tarot alguns processos terapêuticos (terapia com cristais, geoterapia, florais, mandalas, cromoterapia, etc.) com o objetivo de ver e auxiliar o consulente como um todo, e para que, compreendendo a si mesmo e a seus processos, possa ter uma qualidade de vida melhor.
= Tarot Grego = Baralho Espanhol = Baralho Francês = Runas = Geomancia
* Atendimentos:
- Pessoalmente (local e domicílio)
- Por MSN ou telefone (pagamento: depósito antecipado sujeito à confirmação)
* Cursos: aulas VIP e em turmas – Apostilado

domingo, 3 de fevereiro de 2008

FLAMENCO!!!

O Flamenco é uma arte andaluza, típica dos ciganos da região Sul da Espanha (os chamados do grupo calé ou calon), sua expressão marcante é caracterizada pelo canto, pela melodia e pela dança, elementos esses que trazem em si a amálgama de vários povos que viveram e influenciaram a cultura espanhola: ciganos, judeus e mouros... Vibrante, passional, ardente... Hoje é um ícone da Espanha.

Muito da história de suas origens se perdeu na noite dos tempos, e isso se deve a vários fatores... A queda de Granada se deu em 1492, com a reconquista da cidade pelos reis católicos, que obrigaram todos os mouros a se cristianizarem, sob pena de expulsão. Tanto os mouros, quanto os ciganos (que adentraram a Espanha por volta do século XIII) e os judeus foram muito perseguidos pela Santa Inquisição durante todo o processo de reconquista total. A cultura cigana é ágrafa, tudo é transmitido de forma oral e de uso reservado às famílias, e o estilo musical flamenco sempre era considerado algo pertencente à ralé, executado pelas classes excluídas da sociedade espanhola, portanto, nada se escrevia sobre esse estilo musical, e nem tampouco era considerado arte. Acredita-se que originalmente o flamenco era só o canto (chamado cante), gutural, forte, lamentoso, dolorido, herança dos lamentos dos árabes e de suas orações cantadas... Herança dos mouros perseguidos que cantavam de forma desesperada e hipnótica...Herança dos gitanos que estavam nos cárceres ou em fuga... Ao cante, se juntou o toque, primeiro com palmas para marcar o compasso e depois com violão, la guitarra. A dança (el baile)veio em seguida, ou em conjunto com tudo isso, trazendo consigo o sapateado e os movimentos de braços, as expressões faciais que traduziam a alegria ou a revolta, as castanholas (herança dos címbalos de dedo dos persas) e a percussão.

A história diz que muito do que se tocava de música na Espanha Moura, que era chamada de reino de Al-Andaluz, lembrava em muito o flamenco... Tanto o canto, quanto o toque e a dança trazem em si a marca dos povos ciganos, que deram ao flamenco a cara com o qual ele ficou conhecido entre os outros povos. Inclusive o figurino, com cores berrantes e muito pano, os homens com suas camisas largas e coletes, as mulheres com seus vestidos de lunares e adereços mil. Toda a história da perseguição aos ciganos em terra espanhola se tornou o ritmo flamenco, criado como um protesto, como um grito que sai da alma clamando liberdade, clamando respeito, aceitação! Como um brado de revolta que ecoa... Como o reflexo da dor, mas também da resistência. A dança é altiva, agressiva, é como se os bailarinos estivessem se impondo ao mundo que rechaça e exclui. A própria palavra “flamenco” vem do árabe, e signica “camponês fugitivo”, numa referência clara ao contexto social conturbado onde ele estilo musical e artístico surgiu.

No século XVIII, o flamenco era restrito às gitanerías e tavernas, ou aos acampamentos e festas populares. No início do século XIX, começou a ser apresentado em cafés e nas tabacarias. Começou então a chamada época de ouro do flamenco, que foi mais ou menos de 1870 a 1910. Os dançarinos se tornaram grandes atrações, e os músicos que os acompanhavam, bem como os cantores, ganharam grande destaque também. E assim, o flamenco foi expandindo as fronteiras de Andaluzia e caindo no gosto de outras partes do mundo, dada a sua forte carga emocional e exótica. As migrações também contribuíram para essa difusão.

Apesar de ser herança de povos marginalizados, acabou virando referência de música e cultura espanhola. E nos dias de hoje cresceu tanto que muitas vertentes surgiram, e muitas coisas foram incorporadas no cante, no baile e na instrumentação. Houve fusão da dança com contemporâneo, clássico, jazz... Tudo de modo a valorizar a livre expressão, já que o flamenco é a arte que representa a busca pela liberdade... Ainda hoje, porém, existem os bailaores puristas, que levam na alma e no sangue as marcas de seus antepassados... Ciganos... Que eram perseguidos pelas leis espanholas, e se refugiavam nas grutas... Dentro da arte flamenca, existem variados ritmos, procedentes de regiões diferentes de Andaluzia, alguns são gerais, e transmitem mais a essência cigana... Cada ritmo denota uma forma de expressão diferente, bem como possui marcações musicais distintas. Por exemplo: o tangos é uma dança ardente, que abusa da sensualidade, as letras são temperadas de humor ou passionais. Quando é mais rápido, o tangos é chamado de tanguillo. A soleá é considerada o ritmo-mãe do flamenco, é uma abreviação de soledad, solidão. Os acordes são melancólicos, geralmente traduzem a dor de uma perda. As bullerías são ritmos de festa, com total improviso e interação de músico e bailaor, a palavra vem de burlar... A farruca era dançada nos tempos antigos exclusivamente por homens, é uma dança forte e marcada, o nome dela vem do árabe, e significa valente. As sevillanas são o ritmo tradicional de Sevilla, esse é um ritmo que já fazia parte do antigo folclore andaluz e foi aflamencado pelos ciganos, é dançada em solo ou pares nas feiras populares, é o ritmo mais popular. As alegrías tem um ritmo parecido com a soleá, só que são mais alegres. A zambra é uma herança do tempo dos mouros, é a dança que mistura elementos ciganos e árabes, tem muitas ondulações e transmite a idéia de mistério. A seguiriya é considerada o ritmo mais cigano do flamenco, seus acordes são fortes e doloridos, refletem uma grande melancolia, um desabafo, uma busca pela liberdade maior... E existem variados ritmos, alguns até já perderam na noite dos tempos...

Da mesma forma que ocorre com outras formas artísticas antigas, também acontece no flamenco uma espécie de debate entre o que é inovação e o que é purismo... Afinal, não temos registros consistentes... Muita coisa foi se mudando com o passar dos tempos... Creio que o principal, que também é o imerrodouro, é que o flamenco trata de individualidade. Cada bailaor dança do seu jeito, penso eu que o melhor do flamenco é o improviso, a expressão adequada de cada emoção individual naquele momento. A própria linguagem do flamenco é o que chamamos de “el duende”, que é quando a pessoa se deixa levar pela essência da melodia, e se expressa livremente...Como se estivesse num transe em que seu ser se mescla com a música, como se entrasse em contato com o que anima a melodia... Não estou dizendo aqui que a técnica não seja importante... Muito pelo contrário, é importantíssima, a dança exige preparo físico e muita consciência corporal, é um trabalho muito sério com o corpo, e tem que ser devidamente executada, com cuidados e critérios. E por tratar-se de uma dança étnica, cujas raízes advém dos povos que citamos, é bom conhecer a cultura, para compreender melhor como os antigos se expressavam, e como trazemos isso numa espécie de inconsciente coletivo para os dias de hoje. Já que a essência, “el duende”, é eterno e atemporal. Muito do que se discute hoje acêrca de técnica e improviso acaba cerceando a livre expressão de alma que o flamenco remonta em suas origens. Quem assiste a um baile flamenco sente e observa que a dança tem movimentos fortes, que são fruto de um grande incorformismo, com altos e baixos emocionais... Conforme já disse, é passional. Uma lenda cigana diz que os bailaores já dançam dentro do ventre de suas mães, ao som das batidas do coração dela, e que os sapateados marcam o ritmo das batidas de nosso coração em busca de liberdade; é uma dança vibrante, criada para lutar contra as perseguições... Usada como forma mais pura de expressão... Uma magia. Flamenco não é apenas tocar, ou bailar, ou cantar, ou os três juntos... Flamenco é sentir, é expressão, é forma de viver.